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terça-feira, 24 de janeiro de 2012

A chuva cai,o pó continua...



 (Por:Laísa Duarte)


    Desprego meus olhos por alguns instantes da tela ligada.Tiro alguns segundos do tempo e abro calmamente a janela.Olho o céu,escuro e triste pela chuva que ameaça cair.Retorno meus olhos pra TV que,sentindo chegar a chuva,se intimida e se reduz em chuviscos.Porém, a falta de conexão entre a TV e a chuva não me impede de ver e reviver o que se passa dentro da tela:uma reportagem feita com milhares de  pessoas que admitem ter algum tipo de dependência.Não somente dependência química,digo.Dependência de tudo que é tipo.Desde amores obsessivos até o último sinal de gota dentro de um copo de água ardente.As imagens passam tristemente,transmitindo aos meus olhos curiosos uma leva  de pessoas derramando,em cada gota de lágrima,um pedacinho de vida sem domínio.Quanta tristeza vinda das palavras daquelas pessoas!
      Isso me fez lembrar de uma época na qual,sem intenção alguma,consegui fazer as pessoas que eu amo terem pena  de mim.Uma história de vida movida a fumaças e goles excessivos.Tão grotesca era minha falta de domínio sobre mim que foi necessária uma espécie de salvação pra minha mente.Salvação vinda de um quarto sem qualquer sinal de poros,fria,e com uma boa dosagem de humilhação.
      Á medida que iam me chegando aos olhos aquelas imagens e palavras,fui revivendo esse medonho passado, que aliás,nunca haveria existido não fosse meus extintos violentos e minha curiosidade adolescente terem despertado em mim um aguçado interesse nesse universo sem volta.Curiosidades essas que me fazem até  hoje,sentir o peso de olhares ignorantes e preconceituosos.
       Nesse instante a chuva cai,forte e impetuosa sobre o teto que mais parece desabar.A luz se apaga e a TV adormece.Fim de jogo.Punho-me a deitar e  em meio há um silêncio perturbador,ouço o som da chuva,sinto o cheiro do pó.Adormeço.
        Um novo dia em minha janela,e as lágrimas da chuva parecem inesgotáveis.Sento-me diante do espelho.Observo-me.Nada há de lúcido em mim.Sinto-me puro pó,enquanto digo ao meu reflexo:"Pois que caia a chuva.Que caia e molhe esses milhares de olhares preconceituosos.Que caia  e levante da terra seu delicioso cheiro molhado.Que caia e acorde os loucos...por que apenas eles saberão o que estou dizendo.Viva os loucos,abaixo ás opiniões alheias!"
        "Que caia a chuva ...Mais que o pó continue..."



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